aprenda a fotografar com os artigos do cala a boca e clica
Curso de introdução à fotografia do Cala a boca e clica
quais são as melhores cameras para 2013?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fotografando um lanche do McDonald's: por que a foto é tão diferente da realidade?


Está rolando na internet um vídeo muito legal, no qual a diretora de marketing do McDonald's do Canadá explica o processo para tirar foto de um lanche para propaganda.

A pergunta que motivou o vídeo é a seguinte: "por que seus lanches parecem ser tão diferentes em propagandas dos que estão nas lanchonetes?"

Antes de tudo, devo dizer que esta pergunta é ligeiramente estúpida, pois ninguém vai a um fotógrafo para parecer mais feio.
Quando contratamos um bom fotógrafo, queremos ficar mais bonitos, as mulheres vão ao cabeleireiro e usam maquiagem, e é preparado todo um set de iluminação que nos privilegia.
E esta lógica não é diferente para um animal, ou para um sanduíche. O McDonald's, ou qualquer outra empresa, não contrata uma empresa de marketing para que seus produtos saiam horrorosos nas fotos ou nos vídeos.

Tendo esclarecido isto, farei um resumo do vídeo para aqueles que não falam inglês e só lerão as figuras.
A diretora de marketing do McDonald's vai até uma lanchonete da rede e compra um quarteirão com queijo, depois se encaminha até o estúdio fotográfico para tirar uma primeira foto deste sanduíche.
Então, com os mesmos ingredientes das lanchonetes (é o que ela diz, pelo menos), eles preparam um sanduíche "cenográfico", montado de uma maneira para que todos os ingredientes, que num sanduíche normal estariam dentro do pão, possam ser visualizados na propaganda, como o picles, a mostarda e ketchup. Eles também dão uma derretidinha no queijo para ficar mais apetitoso.
Esta é a maquiagem do sanduíche.

Por fim, levam a foto para o pós-processamento, onde são feitas pequenas correções para ressaltar as cores e remover pequenos defeitos no pão.

Segundo a diretora de marketing, a foto fica tão diferente do produto das lanchonetes porque a caixa é feita para preservar o lanche quente, e os vapores fazem com que o pão murche um pouco.

Anatomia do vídeo

Além de ser um vídeo bastante interessante para quem curte fotografia, eu gostaria de compartilhar com vocês alguns detalhes que reparei nele.


O primeiro é o set utilizado para tirar as fotos. Podemos observar que há seis luzes neste set, quatro strobes embaixo (um deles está atrás do fotógrafo) e dois outros strobes dentro de softboxes (aqueles modificadores retangulares pretos).

Este é um belo set, ainda mais se pensarmos que se trata a foto de um mero sanduíche.
Podemos perceber também que destas seis luzes, quatro estão ligadas: a do fundo e no topo em softboxes, a do canto esquerdo e, depois, no decorrer do vídeo, veremos que a luz atrás do fotógrafo também está funcionando.
Eu só fiquei na dúvida quanto ao primeiro strobe (com a interrogação) do lado direito, pois ele parece estar desligado, mas depois, mais adiante no vídeo, ele parece estar ligado.


Esta foto é a que foi tirada do sanduíche preparado na lanchonete. Por ela, e pelo reflexo à direita no queijo, podemos ter a certeza que o strobe da direita estava ligado.

A foto não é ruim, principalmente porque está bem perto da realidade, mas, em comparação ao resultado final, veremos que o trabalho do fotógrafo valeu a pena.


Aqui poderemos dar uma xeretada no equipamento que eles utilizam. A flecha aponta para a câmera usada, uma Mamiya de formato médio, bastante usada em fotos para propaganda, por sua grande qualidade ótica. Sem dúvida, eles devem ter capturado a imagem com um fundo digital de alta resolução. Uma câmera destas com um fundo digital deve estar na casa de 25 mil reais, talvez muito mais dependendo da configuração.


Aqui temos a foto do sanduíche depois da maquiagem, embelezado e preparado para chamar mais atenção.
A diretora de marketing afirma que esta é a foto saída diretamente da câmera, sem retoques, mas acho que houve pequenas correções, pois o pão não aparenta ter os mesmos defeitos que são corrigidos posteriormente no vídeo.


Por fim, aqui está a comparação lado a lado com o sanduíche comprado na lanchonete e o outro preparado para a propaganda.

Há uma grande diferença, inquestionavelmente, assim como há grandes diferenças entre aquela foto de casamento da sua prima e ela na vida real.

Como eu disse, gostaríamos de parecer mais bonitos na fotografia. Sorte do quarteirão com queijo que consegue esta proeza!

***
Gostou deste artigo?


A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.

domingo, 17 de junho de 2012

Dúvida do leitor - Essa paixão por Câmeras SLR e Fotografias é apenas Hobby ou é mesmo algo para me profissionalizar? Qual o conselho que você me daria?


Recentemente, o leitor Douglas Jefferson me enviou esta pergunta por e-mail, querendo saber se deveria encarar a Fotografia somente como hobby, ou se existe a possibilidade de profissionalizar-se.

Antes de tudo, isto é muito pessoal, depende do talento e do esforço individual, e também da garra para correr atrás das oportunidades.

Para entendermos se vale a pena tentar a carreira de fotógrafo, precisamos olhar um pouco para uma ou duas décadas atrás e vermos como o cenário da fotografia mudou bastante.

Como era a profissão do fotógrafo antes?


Na era do filme, a fotografia profissional era um ramo bastante especializado.

A maioria das pessoas normais, como eu e você, tinha câmeras automáticas, que faziam todos os ajustes sem intervenção do fotógrafo, assim como com as câmeras compactas digitais de hoje.
Eram raríssimos os amadores que possuíam câmeras profissionais, tanto por causa dos altos custos dos equipamentos, mas também para aquisição e revelação dos filmes.
Certa vez, durante um workshop com um fotógrafo americano de casamento, ele disse que somente com filme e revelação, ele gastava quase 2 mil dólares, ou seja, era um investimento altíssimo para inserir-se no ramo, e nem todos podiam arcar com ele.

Além disto, para se obter boas fotos com câmeras de filme, era necessário um profundo conhecimento técnico, pois não havia a facilidade de conferir na hora se a foto havia ficado boa ou não.
Imagine só você ser pago para cobrir um casamento e, na hora da revelação, descobrir que todas as fotos ficaram fora de foco, sobrexpostas ou queimadas?

Isto é, a profissão do fotógrafo era para quem entendia do assunto e, justamente por isto, era mais valorizada e pagava melhor.

Como é a profissão do fotógrafo hoje?


Estamos na era da popularização da informação, e isto inclui também a fotografia. Todos nós temos câmeras, sejam compactas ou Reflex. Todos os celulares veem com camerazinhas fotográficas e qualquer criança pode clicar e obter imagens razoáveis.

Boa parte do mistério e do fascínio da fotografia se perdeu. Hoje, qualquer um pode comprar uma câmera fotográfica profissional com quatrocentos dólares, sem custo algum com filmes ou revelação. Basta pegar uma câmera destas, sem qualquer conhecimento técnico de fotografia, cobrar 300 reais e cobrir casamentos, ou cobrar 30 reais e fazer um book de 15 anos.
Juro que já vi fotógrafos cobrando estes preços!

Estamos vendo a desintegração da profissão de fotógrafo diante da concorrência desleal, mas principalmente por causa da amadorização extrema da fotografia.

Isto é ruim?

Talvez sim, talvez não, dependendo de qual lado você estiver.

O fato é que os fotógrafos profissionais estão se descabelando e vendo o pão sendo tirado de suas bocas dia após dia. Mesmo grandes nomes, fotógrafos que trabalham para grandes revistas como a National Geographic ou Newsweek estão sendo afetados pelo trabalho de amadores que, às vezes, conseguem obter imagens tão extraordinárias quanto os profissionais, e que estão dispostos a distribuir gratuitamente suas fotos na internet.

Devo me tornar um fotógrafo profissional?


Após entendermos qual é o cenário atual, resta-nos responder à questão crucial: é possível profissionalizar-se em fotografia hoje em dia?

É claro que sim! As pessoas ainda continuam se casando, comemorando aniversários, bodas ou festas de 15 anos. Crianças ainda são batizadas. Ainda ocorrem incêndios e catástrofes. Ainda existe espaço para Arte.

A fotografia não está morrendo, pelo contrário, está mais presente em nossas vidas do que jamais foi. Todos estão deslumbrados com a fotografia, mas nem todos são capazes de criar imagens extraordinárias.
Isto ainda depende principalmente dos fotógrafos profissionais, que estudaram e praticaram muito antes de saírem com sua câmera na mão cobrando uma exorbitância por um trabalho.

Quando você for se casar, você prefere um profissional que cobre alguns milhares de reais e será a garantia de um trabalho excelente, ou prefere pagar uns tostões para um amador que mal sabe como usar o equipamento?

Aposto que, nesta situação, você preferirá o profissional.

Ainda não sabemos como será o futuro da fotografia, nem qual será o destino dos poucos grandes profissionais que restam deste ramo, mas, se você deseja se tornar um fotógrafo profissional, não existem atalhos.
É preciso estudar muito, praticar muito, conhecer bem seu equipamento e destacar-se dos demais, criando uma linguagem própria. Estes serão seus diferenciais, e é por isto que alguém o contratará e confiará em você.


***
Gostou deste artigo?


A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é Bokeh e como eu faço isto?

(1/30 f/4.5 ISO 400, por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6380090057/)

Bokeh é um nome bonitinho para designar aquele desfocado nas fotos, geralmente no primeiro ou segundo-plano de retratos.


Este é um efeito poderoso para realçar a tridimensionalidade da imagem, além de ser particularmente charmoso.

Como faço um Bokeh?

Como você já leu no artigo sobre profundidade de campo, a quantidade de elementos em foco numa imagem dependem de quatro fatores principais:

1 - da abertura de diafragma máxima da lente,
2 - da distância focal da lente,
3 - da distância entre o fotógrafo e o primeiro plano e
4 - da distância do primeiro para o segundo plano.

1 - A abertura de diafragma e o bokeh


Quanto maior for a abertura de diafragma da lente, menos elementos estarão em foco e mais acentuado será o bokeh.
Na imagem acima, foi utilizada uma lente bastante rápida, com abertura de f/1.4. Você pode perceber que apenas uma pequena seção da foto está em foco, todo o resto está com um suave desfocado.

2 - A distância focal e o bokeh


Comumente, você obterá um bokeh muito mais bonito com lentes longas, como telefotos, mesmo com aberturas de diafragma menores, como no caso acima, com uma lente de zoom em 75mm e abertura de diafragma em f/5.6.
Observe como somente o setor central da foto está em foco, e todo o restante com um agradável desfocado.


Este é exatamente o mesmo caso desta outra foto, numa distância focal de 176mm, na qual apenas uma pequena parte da imagem está em foco, e todo o restante está borrado.


É muito difícil de se obter um bokeh satisfatório usando uma lente grande-angular ou com aberturas pequenas, como no caso da foto acima, com uma lente de 24mm e uma abertura de f/9.

Você pode reparar que, ao contrário das outras fotos, tanto o primeiro plano quanto o segundo estão bastante nítidos e em foco.
Infelizmente, não há como burlar as leis da ótica, a não ser usando o Photoshop.

3 - A distância do fotógrafo para o primeiro plano e o bokeh



Quanto mais próximo você estiver do primeiro plano, maior será o desfocado do segundo plano, principalmente se este segundo plano estiver distante.
Na imagem acima, utilizamos uma abertura de diafragma mediana, de f/3.5, mas, em compensação, estávamos bem próximos da cabeça do Jesus morto. Isto permitiu um leve bokeh no segundo plano, no qual ainda podemos distinguir os traços de Maria, mas sem muita nitidez.


Este outro exemplo parte do mesmo princípio, com a câmera bastante próxima do primeiro plano e, consequentemente, com o segundo plano um pouco (ou bastante) desfocado.



Todavia, se o fotógrafo estiver distante do primeiro plano, mesmo que esteja usando uma telefoto com a abertura máxima, como na situação acima, na qual fotografamos este morro com uma lente em 163mm e abertura de f/4, o bokeh não será tão satisfatório.

Você pode constatar que o segundo plano, com as outras colinas e montanhas, ainda estão bastante em foco, mas isto porque o primeiro plano está muito distante da câmera.

4 - A distância entre o primeiro e o segundo plano e o bokeh


Neste autorretrato, apesar de estar com uma abertura pequena de f/11, por ser uma lente telefoto em 135mm, próxima do primeiro plano e bastante longe do segundo, temos um bokeh muito evidente.


Já nesta outra situação, estávamos distantes do primeiro plano, mas o segundo plano estava mais longe ainda, além de termos usado uma telefoto com a abertura máxima, por isto o desfocado perceptível.

Juntando tudo

O bokeh ideal é quando você consegue reunir estes quatro fatores. Em ordem de relevância, eu diria que em primeiro lugar vem a abertura de diafragma, depois uma lente telefoto, depois a distância entre o primeiro e o segundo plano e, por fim, a distância entre o fotógrafo e o primeiro plano.

Nos quatro exemplos abaixo, você poderá perceber algumas diferenças.





Foto tirada com telefoto, próximo do primeiro plano, distante do segundo plano com abertura pequena em f/8.
O fundo está completamente desfocado.


Foto tirada com grande-angular, próximo ao primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma máxima em f/4.
Fundo parcialmente desfocado.



Foto tirada com grande-angular, próximo a primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma pequena em f/8.
Fundo quase nítido.



Foto tirada com telefoto, um pouco distante do primeiro plano, bastante distante do segundo plano com abertura do diafragma máxima em f/4.
O fundo está bastante desfocado.

Conclusão

O bokeh é uma excelente técnica composicional da fotografia, que deixará suas fotos muito mais interessantes.
Ele depende de quatro fatores básicos e, com o tempo, a realização de um bom bokeh se tornará natural, já identificando em quais situações ou com que tipo de equipamento ficará mais agradável.

Exercícios práticos

1 - com uma lente telefoto (51mm ou mais longa) tire as seguintes fotos:

a - com abertura máxima, próximo do primeiro plano e com segundo plano distante;
b - com abertura máxima, distante tanto do primeiro quanto do segundo plano;
c - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11),  próximo do primeiro plano e com segundo plano distante; e
d - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11), distante tanto do primeiro quanto do segundo plano.



2 - repita estes mesmos exercícios com uma lente grande-angular (49mm ou mais curta).

Em quais destas fotos você reparou que o bokeh ficou mais aparente?

Por fim, compartilhe conosco seus resultados em nosso grupo do Flickr
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


***

Gostou deste artigo?


A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dúvida do leitor - Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

No artigo O que é brilho, contraste e saturação?, o leitor Roberto propôs uma série de indagações sobre pós-processamento, então, nos próximos artigos do Cala a Boca e Clica! exploraremos mais a fundo tais questões, começando por:

Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

Antes de tudo, temos de fazer uma distinção entre "resolução" e "granulação".

Como já explicamos em Quanto mais megapixels melhor, né?, resolução indica o número de pixels, ou os pontinhos que compõem a imagem.
A princípio, o pós-processamento de uma foto não afeta em nada a resolução da imagem, que depende exclusivamente da resolução da câmera, indicada em megapixels.
Só haverá uma perda de resolução caso haja recortes na foto. Quanto maior for o recorte, maior será a perda da resolução, até um estágio em que a foto começa a ficar pixelada, ou seja, você começa a perceber o pontos.

Já a granulação, ou ruído digital (ler O que é ruído digital e como ele pode afetar minhas fotos?), depende principalmente do ISO utilizado na hora de se fotografar. Quanto maior for o ISO, maior serão os grânulos (se for filme fotográfico) ou mais visível será o ruído digital.

Veja a imagem a seguir, tirada em .JPEG, sem processamento, como saiu diretamente da câmera, tirada em ISO 100.


Como usamos um ISO bastante baixo, mesmo numa situação com pouca luminosidade, o ruído digital é pouco perceptível.

Num recorte em 100% podemos perceber isto melhor.


Se a imagem não parece estar tão nítida, isto se deve a dois fatores: 1 - a lente usada não era das melhores, e 2 - não houve nenhuma correção de nitidez.


Nesta segunda imagem, editada e com pequenos ajustes de contraste, brilho e saturação, podemos perceber que os ponteiros do relógio estão um pouco mais escuros e o lustre mais destacado.


Num recorte em 100%, é evidente que não houve nenhuma perda de resolução, nem alteração na granulação, pois, como foi dito, em ISO 100 o ruído digital é quase imperceptível.
Na comparação, podemos ver as diferenças entre a foto original e a editada após os ajustes de brilho, contraste e saturação.

No entanto, a coisa muda um pouco de figura quando trabalhamos com fotos tiradas com ISO alto, pois o ruído digital pode ser bastante discernível, mesmo quando não realizamos grandes recortes.

Veja a foto abaixo, sem edição, tirada em ISO 800.


Se você prestar bem atenção, poderá reparar, especialmente no metrô em movimento, o ruído digital, mas isto ficará mais claro no recorte em 100%, abaixo.


Como utilizamos um ISO bastante alto, não há como escapar do ruído digital, que pode até ser corrigido um pouco no pós-processamento, quase sempre comprometendo um pouco a nitidez.


Nesta outra foto, fizemos alguns ajustes de brilho, contraste e saturação e você poderá constatar que tanto o trem quanto o pilar da estação ficaram mais destacados.


Na ampliação em 100%, fica muito mais evidente o aumento ruído digital, causado principalmente por causa do ajuste na saturação.


Agora, se puxarmos a barra de saturação ao máximo, obteremos uma imagem como a acima, com as cores bastante artificiais e, por causa do ISO alto, com o ruído digital gritando.


Ao ampliarmos a foto, até se parece com uma pintura moderna e abstrata.


Por fim, fizemos a comparação entre as três fotos: a original, a com processamento leve e a com saturação excessiva.

Então, respondendo a dúvida do Roberto.

Os ajustes de brilho, contraste e saturação não afetam a resolução da foto, mas podem afetar no ruído digital, principalmente em fotos tiradas com ISO alto.


***

Gostou deste artigo?


A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O que é brilho, contraste e saturação?

(1/250 f/8 ISO 100, foto saindo diretamente da câmera: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7336143238/)

A foto que você obtém com sua câmera digital, seja com uma Reflex, seja com uma compacta, geralmente necessitará de um pouco de pós-edição.

Talvez muitas pessoas publiquem suas fotos na internet sem nenhum tipo de tratamento digital, mas como você está interessado em melhorar suas imagens e deixá-las mais bonitas, cedo ou tarde você acabará recorrendo ao Photoshop ou ao Lightroom para dar aquele toque à mais nelas.

Então, assim que você começar a explorar o editor de imagens, você se deparará com três termos cruciais: brilho, contraste e saturação.

Na foto do topo, temos a imagem saída diretamente da câmera, em formato .RAW, sem nenhum tipo de ajustes de brilho, contraste ou saturação. Em seguida, vamos lhe mostrar como cada um destes ajustes afetará a foto.

Brilho (Brightness)

Brilho refere-se à claridade de uma imagem, tanto das partes iluminadas quanto dos contornos.


Neste primeiro exemplo acima, movemos a barra de brilho (brightness) do Adobe Lightroom para o máximo de claridade, e obtivemos esta imagem bastante sobrexposta nas áreas claras, apesar de os contornos ainda serem bastante nítidos.


Já neste segundo exemplo, movemos a barra do brilho para o mínimo de claridade. Obtivemos uma imagem bastante subexposta, mas você poderá perceber que os contornos continuam nítidos.

Você ajustará a função brilho toda vez que quiser deixar a área iluminada mais clara ou mais escura, de acordo com o efeito desejado.

Contraste (Contrast)

Já falamos sobre contraste por aqui. Contraste refere-se à diferença entre a região clara e escura de imagem.


No caso, acima, ajustamos o contraste (contrast) para o máximo, então os contornos e as áreas mais escuras ficaram extremamente demarcadas.


Já neste outro exemplo, a barra de contraste foi ajustada para o mínimo, ou seja, os contornos ficaram bastante suaves, até um pouco cinzentos e desinteressantes.

Saturação (Saturation)

Saturação refere-se à percepção que temos da cor numa imagem.
Geralmente é o segredinho não tão secreto de muitos fotógrafos para deixarem as cores mais intensas, como o vermelho mais vermelho, o verde mais verde, ou o amarelo mais amarelo.

Esta é uma ferramenta poderosa, portanto, não dá para abusar demais dela.


Na foto acima, ajustamos a função saturação (saturation) ao máximo, ou seja, todas as cores foram realçadas, ao ponto de ficar totalmente artificial.
Este é o tipo de efeito que você não vai querer...


Já no ajuste mínimo de saturação, temos a perda total das cores. Esta é uma das maneiras para se criar fotos em preto e branco a partir de uma foto colorida. É a mais simples, mas nem sempre a mais recomendada.

E, por fim, a foto com os ajustes


O ajuste correto de uma foto é muito particular.
Cada fotógrafo tem um gosto particular e um estilo que deseja reproduzir em suas imagens. Alguns curtem fotos com alto contraste, ou com baixo contraste, outros preferem imagens mais claras e outros mais escuras, e outros adoram fotos cheias de cores, enquanto outros se realizam com imagens monocromáticas.



Acima estão as informações da configuração utilizada para ajustar a foto. Aumentamos o brilho (brightness) e o contraste (contrast), e um pouquinho a saturação (saturation) para realçar as cores.

Para o meu gosto, a foto ficou satisfatória, na medida certa, sem ficar muito artificial e com os detalhes bastante perceptíveis.

Só lembrando que cada foto necessitará de ajustes diferentes, pois foram tiradas em condições de iluminação que exigirão cuidados particulares.

Exercício prático

1 - escolha uma foto, preferencialmente colorida, e, no Photoshop ou no Adobe Lightroom, brinque com as funções mencionadas acima:

a - aumente e reduza a barra de brilho;
b - aumente e reduza a barra de contraste;
c - aumente e reduza a barra de saturação.

2 - depois tente encontrar o melhor ajuste para esta foto específica e compartilhe conosco em nosso grupo do Flickr.

http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


***

Gostou deste artigo?


A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.